Como podemos racionalizar o que sentimos?
Podemos listar nossas necessidades e os nossos desejos, mas podemos racionalmente buscá-lo em alguém?
Uso outra palavra: devemos?
O que é o amor senão a construção de um caminho com emoções muitas vezes vindas de forma inesperada e de pessoas tão distantes daquela que idealizamos para nós!
Amar é a somatória disso, olhar, aproximar-se, ouvir, rir, compartilhar, ver além do que o outro nos mostra, suspirar, admirar, olhar nos olhos mesmo à distancia, sentir a troca intensa de uma energia vindo de lugares que mal imaginamos, mas que nos envolve e nos leva a entrega.
Racionalizar tudo isso é permitir que o " por que?", "como?" , " não entendo!" e outras dúvidas tomem posse do mais lindo e esperado momento, o do possível encontro daquele(a) que irá nos fazer sorrir.
Entregar-se às dúvidas é fugir da entrega, é usar um cálculo frio e minimalista para encontrar algo tão superior e sublime que não pode e nem deve ser calculado.
De quais amores vc mais se recorda??
Daqueles frios e pálidos, estupidamente corretos ou daqueles fulminantes, inesperados, envolventes e que fugiram a todas as regras e normas impostas pela sua necessidade calculada?
Eu me lembro daqueles que me fizeram suspirar nas altas horas da madrugada, que me fizeram sair do meu espaço-tempo e seguir por dimensões desconhecidas mas intensamente desejadas. Sempre vou me lembar da emoção de ouvir a voz pela primeira vez, do riso franco qdo disse que " que voz liindaaa", da emoção franca e sincera de olhar sua imagem mesmo que longe e pixelizada. " Não tinha a intenção de me apaixonar..mera distração e já era momento de se entregar!"
Buscar o amor é entregar-se sem normas, regras e conveniências !
É permitir-se, abrir-se livre de questionamentos!
Não troco esses momentos por "amor" calculado, não troco essa emoção pelas certezas "incertas" do calculo matemático: distancia X atributos físicos, pois isso pouco importa quando lembramos da verdadeira concepção da palavra: sentimento. Se for verdadeiro nada mais importará senão estar ao lado da pessoa amada.
Muda-se de cidade, estado ou país, aceita-se condições complicadas de vida pois a intenção de quem ama é só uma: amar e ser feliz e como fazer isso sozinho e longe daquele(a) que faz seu coração vibrar e sua alma sorrir?
Claro, resta sim a racionalidade de recusar o brinde do destino e continuar com a lista de atributos nas mãos, mas sempre a memória voltará para aquele amor (emoção) vividos de forma rebelde e contrariando todos itens de busca. A memória e o coração são sábios, eles é que guiam nossas recordações.
O neurologista que trata a Doença de Alzheimer da minha mãe ressaltou muito bem isso...o que permanece, fixa, cria raízes em nossa mente são os momentos intensos de nossas vidas. Por isso esses pacientes sempre retornam à sua infância, retornam para os momentos mais felizes de suas vidas, para o amor da adolescência e não vivido, para um amor vivido mas perdido.
Quero para mim lembranças fortes de emoções completas e vividas e não uma lista com qualidades e defeitos que o meu amor não deve ter.
Quero emoções e lembranças vivas e intensas afinal nunca gostei de matemática mesmo!
