Nos últimos dias temos visto uma
sucessão de comentários sobre a doença e a morte da ex primeira dama do país e
com extrema surpresa notamos a intensidade quase impulsiva de ódio e intolerância
nessas vozes.
Esse não foi um fato isolado,
vimos comentários mórbidos nas mortes de outros políticos como naquela do filho
do governador de São Paulo e na doença de alguns acusados na Lava-Jato, além de
comentários bizarros de racismo e intolerância contra pessoas públicas.
A minha reflexão a respeito desse
assunto ultrapassa o limite da crise política e financeira pela qual passamos,
ela envolve o entendimento dos profundos e preocupantes sinais de que estamos
fazendo algo de muito errado nesse pais.
Todos os comentários que vemos
nas redes sociais e nas bocas das pessoas, inclusive de profissionais que
deveriam primar pela ética e privacidade de seus pacientes, vem de pessoas em
sua grande maioria na faixa etária de
18-30 anos.
Por que digo isso? Imaginando que todos nós somos moldados
de acordo com a educação e cultura com as quais convivemos, devo considerar que
não temos oferecido um ambiente saudável para nossas crianças e jovens nos últimos
anos.
É fácil refletir sobre isso. Nas
ultimas décadas deixamos de lado muitas atitudes que foram consideradas
retrógradas, antigas e ultrapassadas para agir de forma “livre” e “sem rédeas”. Disseram para nós que devemos falar
tudo o que passa em nossas cabeças, tudo o que sentimos e quem ouvir que se “lasque” afinal eu digo o que penso, sou sincero. Só tem um porém;
digo o que penso, mas não me responsabilizo pelo dito e isso passa por outras
situações também: transo sem preservativo, mas não me responsabilizo pela
gravidez, não vou a aula e não me responsabilizo pela minha reprovação, bebo e
não me responsabilizo pelo acidente que provoquei, o político rouba o país e
não se dá conta do número de pessoas foram prejudicadas e até mesmo quantas
morreram física e moralmente por falta de investimento público.
São imensos os exemplo que
irresponsabilidades avalizadas pela educação das ultimas décadas. Vimos
crianças desrespeitarem os seus pais, seus
professores, idosos, pessoas nas ruas e o que fizemos? Fomos desorientados a “entender”,
a “compreender” e a “permitir” tudo isso, mas devemos lembrar que quem impôs essa
metodologia educativa foi educado da forma tradicional, com castigos, com grandes
broncas, com alguns sopapos merecidos. Essa geração criada nos moldes do “tudo
pode” foi cobaia da psicopedagogia
exagerada e mal orientada da permissividade.
Aluno não quer ir a aula, tudo
bem! Ele deve aprender no seu ritmo.
Filho não quer arrumar o quarto,
não quer ajudar nas obrigações de casa, tudo bem! Ele sempre deve ter uma vida
melhor do a que os pais tiveram, mesmo que isso crie indivíduos extremamente
folgados.
Filhos e alunos respondem, xingam,
agridem e ultimamente matam pais e professores, mas tudo bem! Ele tem que
colocar para fora tudo o que o perturba mesmo que isso agrida, ofenda, maltrate
e humilhe outra pessoa.
Tudo o que lemos nas redes
sociais é reflexo desse triste quadro, ao optarmos por um estilo de educação
que privilegia o indivíduo e não o grupo, a falta de educação e a falta de
filtro como cura para qualquer incomodo, a ignorância de colocar para fora
qualquer pensamento sem sequer levar em conta o sentimento dos outros, nós criamos
verdadeiros monstros.
Os monstros agora se voltam
contra os seus criadores, pais que não educaram, professores que não ensinaram,
políticos corruptos que roubaram e não aplicaram recursos para fortalecer a
base de uma cultura sólida de educação, cidadania e respeito ao outro e ao bem público.
E agora?? Agora é cuidar da nova
geração, reagir contra atitudes abomináveis e tentar com isso controlar o
monstro que criamos, mas e se não der certo?
Se não der certo, queridos, é
salve-se quem puder!