quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Como podemos racionalizar o que sentimos?
Podemos listar nossas necessidades e os  nossos desejos, mas podemos racionalmente buscá-lo em alguém?
Uso outra palavra: devemos?
O que é o amor senão a construção de um caminho com emoções muitas vezes vindas de  forma inesperada e de pessoas tão distantes daquela que idealizamos para nós!
Amar é a somatória disso, olhar, aproximar-se, ouvir, rir, compartilhar, ver além do que o outro nos mostra, suspirar, admirar, olhar nos olhos mesmo à distancia, sentir a troca intensa de uma energia vindo de lugares que mal imaginamos, mas que nos envolve e nos leva a  entrega.
Racionalizar tudo isso é permitir que o " por que?", "como?" , " não entendo!" e outras dúvidas tomem posse do mais lindo e esperado momento, o do possível encontro daquele(a) que irá nos fazer sorrir.
Entregar-se às dúvidas é fugir da entrega, é usar um cálculo frio e minimalista para encontrar algo tão superior e sublime que não pode e nem deve ser calculado.
De quais amores vc mais se recorda??
Daqueles frios e pálidos, estupidamente corretos ou daqueles fulminantes, inesperados, envolventes e que fugiram a todas as regras e normas impostas pela sua necessidade calculada?
Eu me lembro daqueles que me fizeram suspirar nas altas horas da madrugada, que me fizeram sair do meu espaço-tempo e seguir por dimensões desconhecidas mas intensamente desejadas. Sempre vou me lembar da emoção de ouvir a voz pela primeira vez, do riso franco qdo disse que " que voz liindaaa", da emoção franca e sincera de olhar sua imagem mesmo que  longe e pixelizada. " Não tinha a intenção de me apaixonar..mera distração e já era momento de se entregar!"
Buscar o amor é entregar-se sem normas, regras e conveniências !
É permitir-se, abrir-se livre de questionamentos!
Não troco esses momentos por "amor" calculado, não troco essa emoção pelas certezas "incertas" do calculo matemático: distancia X atributos físicos, pois isso pouco importa quando lembramos da verdadeira concepção da palavra: sentimento. Se for verdadeiro nada mais importará senão estar ao lado da pessoa amada.
Muda-se de cidade, estado ou país, aceita-se condições complicadas de vida pois a intenção de quem ama é só uma: amar e ser feliz e como fazer isso sozinho e longe  daquele(a) que faz seu coração vibrar e sua alma sorrir?
Claro, resta sim a racionalidade de recusar o brinde do destino e continuar com a lista de atributos nas mãos, mas sempre a memória voltará para aquele amor (emoção) vividos de forma rebelde e contrariando todos itens de busca. A memória e o coração são sábios, eles é que guiam nossas recordações.
O neurologista que trata a Doença de Alzheimer da minha mãe ressaltou muito bem isso...o que permanece, fixa, cria raízes em nossa mente são os momentos intensos de nossas vidas. Por isso esses pacientes sempre retornam à sua infância, retornam para os momentos mais felizes de suas vidas, para o amor da adolescência e não vivido, para um amor vivido mas perdido.
Quero para mim lembranças fortes de emoções completas e vividas e não uma lista com qualidades e defeitos que o meu amor não deve ter.
Quero emoções e lembranças vivas e intensas afinal nunca gostei de matemática mesmo!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

VERDADE


A pessoa verdadeiramente sincera diz o que sente e pensa olhando nos olhos do outro, sem medos, sem prepotência e sem arrogância de já ter se feito entendido com meias e difusas palavras.A verdade quando é proferida com caridade e amor, olhando no fundo dos olhos de quem a ouve, por pior que seja, fortalece a admiração pelo caráter e pela alma de quem a falou. 

Nisso reside a base de qquer relacionamento seja ele familiar, de amizade ou entre casais. 
A verdade e a sinceridade limpa, transparente e cristalina e (bem) dita com carinho não machucam, ensinam, orientam, mas a indiferença  autosuficiente de que a culpa é sempre do outro que não prestou atenção aos "seus" ilusórios sinais desaponta e destroem a admiração e os laços afetivos. 

Construir seus vínculos na base da verdade amigável muitas vezes não é fácil, é mais simples dar as costas e deixar que o outro fique com as interrogações mas é sempre melhor poder, mesmo após a mais dura das revelações, sentir que a sua consciência está tranquila e que naquela pessoa ainda restam o carinho, a atenção e o respeito à vc.

Ao fugir dessas verdades benditas deixamos para trás um rastro de desapontamentos, mágoas e desilusões que de uma forma inevitável voltarão para nós, é a lei no universo, ação-reação.

Então se vc se sente oprimido, se a confusão se mantem na sua vida, olhe para os rastros que vc tem deixado e reflita se na  realidade não são simples respostas às suas fugas.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Limites e eternidade

Dizer que a vida é justa é no mínimo simplista demais, os momentos contém detalhes que muitas vezes nos passam desapercebidos e nos iludem de forma a induzir a uma visão paradisíaca do que queremos para nós. 
Quando pensamos em vida a dois, nos esquecemos muitas vezes de levar em conta o olhar do outro, o outro lado da gangorra ou da balança como queiram.
Muitas vezes, nossas demonstrações de carinhos mais puras e singelas são vistas pelos outros olhos como agressões ou invasões. Nem nos atemos a isso, pois tomados pela impetuosidade, pela ansiedade de colocar para fora o amor que nos sufoca, por vezes, invadimos o espaço sagrado, individual e impenetrável daquele a quem amamos.
Não se faz isso intencionalmente, não se faz para agredir, mesmo porque o que menos queremos é fazer sofrer um coração que nos é caro, mas ao sentir que ultrapassamos o limite e o nosso amor se sentiu "agredido" pelas nossas demonstrações de carinho devemos recuar. 
Sim, recuar, tomar folego, refletir sobre o que estamos fazendo, sobre o que queremos e se nossa individualidade também foi/é invadida.
Pois, tenha certeza, sempre seremos invadidos no nosso espaço, talvez o que pode acontecer é não falarmos, deixarmos para lá o que também não sei se é o certo, mas o relacionamento a dois envolve uma linha tênue de limites a serem respeitados.
Quem é você meu amor? Como foi que eu o conheci? O que me cativou em você? Seu modo de ser ou sua forma física? 
Os relacionamentos mais duradouros são aqueles onde há o respeito quanto às características de cada um, afinal o que o atrai para alguém são pequeninos e sutis sinais e se você se prende demais aos detalhes escancarados e à vista deixará de reconhecer o verdadeiro tesouro que tem às mãos, deixará de experimentar o que é o verdadeiro amor, aquele isento de preconceitos, isento de egoísmos e críticas. 
Fique atento, preste atenção à sutileza do toque, à delicadeza dos gestos, da cumplicidade presente, do ato sem cobrança.
Fique atento. Belezas existem várias, mas só a beleza interna é permanente!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Amor João e Maria

Li uma postagem no Facebook sobre o Amor Passarinho e achei interessante.
O texto comentava sobre as pessoas que se contentavam com o amor em migalhas e 
como essas pessoas ficavam felizes só com um olhar e, depois de muito tempo e às vezes depois de muito implorar, recebem um novo e pequeno afeto. Isso existe e acho que todos nós passamos por esse "estado" de  ficarmos como se fossemos filhotes de pássaros no ninho. No nosso caso ficamos com o coração aberto, esperando o momento em que irão depositar um pouquinho de atenção e carinho dentro dele. 
Quando lembramos da cena do passarinho no ninho, aguardando o momento de receber alimento, podemos perceber também o quanto ele anseia por isso, o quanto se desespera e aflito abre o bico a espera de uma simples migalha. 
É, infelizmente, todos nos passamos por essa fase em algum momento das nossas vidas!
Mas fiquei pensando sobre isso e percebi que existe um outro "estado" do amor, é aquele onde algumas pessoas espalham migalhas para todos os lados, tal qual na estória de João e Maria que espalham migalhas para saberem o caminho de volta para casa. 
Iguais aos irmãos da estória, essas pessoas espalham suas migalhas de "amor" e de "afeto" por todos os cantos e se lá na frente não conseguirem o que almejam, voltam procurando os corações anteriormente tratados com suas fantasiosas e falsas migalhas.
Distribuem migalhas de amor para várias pessoas sempre pensando que "não é bem aquilo" o que querem no momento, mas é bom "manterem o vínculo".
Sim, são pessoas indecisas e que não sabem que a falsidade de suas migalhas afetam o outro de forma profunda. 
São indivíduos que apostam no todo, para que possam resgatar um único amor durante a vida  mesmo que isso custe vários corações sedentos por seu carinho. 
Isso se conseguirem, pois ao distribuírem migalhas a todas(os) estão obviamente perdendo o crédito,  infelizmente para ele(a), sempre aparecerá alguém que cumprirá a função de "alimentar" adequadamente a esses corações e assim, pouco a pouco, os "pássaros" deixam de procurar suas migalhas.
O coração pode se contentar com migalhas durante um certo tempo, mas aos poucos perceberá que existem pessoas que oferecem água limpa e alimento fresco sem a necessidade de que se implore por isso. 
Aqueles que espalham migalhas pensando que se não conseguirem podem voltar porque deixaram várias pessoas dependentes do seu "alimento" poderão se deparar com um caminho de volta solitário e perceberem muito tarde que mais vale alimentar, cuidar e tratar bem de um só coração do que jogar "migalhas" falsas de afeto ao vento.
Na volta pelo caminho, após uma busca fracassada, podem se encontrar com alguém sedento por suas migalhas, mas que não é aquela pessoa que despertou no seu coração a emoção verdadeira se tivesse se dedicado com afinco, mas que por insatisfação, necessidade de busca e conquista deixou para trás.
Podem fatal e simplesmente, semelhante a João e Maria, se perderem sós no caminho.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Vamos transgredir!



Chega de fazer tudo igual e em conformidade com a massa!
Chega de ser passivo, respeitar a conduta ditada pela sociedade, mídia ou seja lá o que for!
Vamos transgredir, nos rebelar, vamos ser diferentes!
Se quer que as coisas mudem seja você a mudança, não é isso?

Então vamos lá, força, seja diferente, rebele-se!
Hoje ser diferente é ser humanitário, diferente é ser honesto, leal!
Atualmente amar intensamente é sinônimo de "pegajoso" e "chato" então vamos amar intensamente!!
Se hoje ser humanitário, ter princípios, ter consciência do que é errado e não fazê-lo é ser considerado como uma pessoa passiva e sem ousadia, seremos assim!
Vamos transgredir, mudar!
Se elogiar, destacar as virtudes das pessoas ao invés de somente defeitos, se valorizar a amizade ao invés de atropelar esse importante vinculo é motivo de chacotas, deixem que riam, vamos transgredir!
Vamos quebrar essas regras imbecis que colocam o egoísmo como fundamental para o crescimento pessoal, que destacam que vale a pena sim passar por cima de qquer um qdo você tem um alvo, que trair nada mais é do que satisfazer o seu desejo de ser feliz e o outro que se dane? Aah...o outro que procure o seu caminho e seja feliz tb! Vamos ser leais porque hoje, ser desleal é normal!
Vamos quebrar os paradigmas atuais que ditam as regras de que mulher ou menina brigar na rua por causa de homem é aceitável e que homem não precisa ser cavalheiro e educado, afinal os "broncos" e as "cachorras" e "periguetes" valem mais hoje em dia!
Vamos nos rebelar de verdade, fazer tudo ao contrário do que vemos na TV, vamos ao invés de roubar o dinheiro público nos empenhar em construir uma sociedade igualitária e solidária. Ao invés de abortar, após um momento de breve hipnotismo midiático de que vale a pena "dar" para qquer um, vamos nos informar como evitar uma gravidez indesejada e vamos "dar" de nós mesmas a quem nos valoriza e nos respeita. 
Vamos respeitar as leis de transito, pois hj transgredir é isso; respeitar! 
Usar o cinto, beber menos, não usar drogas, não se envolver em atos ilícitos, isso é transgredir! 
Que tal pensarmos em não abandonarmos mais animais pelas ruas, idosos pelos asilos, crianças em lixões??
A ideia é essa, rebeldia, transgressão, pois hj fazer p certo é ser diferente, é ser o "cara".
Entre nessa onda, venha para a tribo dos que fazem tudo "errado" e quem sabe assim mudamos a sociedade em que vivemos! Viva a sociedade alternativa!!!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Considerando sentimentos com a base que sustenta um ser humano me vejo às vezes um tanto quanto surpresa com a exposição de emoções que não condizem com a realidade.
Por vezes, emoções intensas expostas sem medo e sem a necessidade de qualquer proteção, mas logo a seguir essa liberdade se transforma em trauma, em medo de dor, medo do coração não suportar mais uma atrapalhada desse cupido bobo que teima em nos colocar em enrascadas.
Mas por que o medo??
Ou melhor, para que sentir medo?? Sabemos que  enfrentar esses desafios e sentir desmedidamente é o sentido pleno da vida!
Quem tem medo não vive, apenas pula de galho em galho, projetando no próximo galho a sua ilusória segurança.
Esquece muitas vezes que naquele galho passado estavam as frutas mais doces, no anterior as folhas mais tenras, mas o medo associado à cobiça o leva a pular, pular, pular e nunca se satisfazer com nada. O coloca numa eterna busca e o mais triste disso é que deixamos o galho anterior por coisas tão banais, ele(a) é muito carinhoso(a) xiii...deve ser grudendo(a) (destaque a palavra DEVE, niguem disse que é), pula-se porque a pessoa não penteia o cabelo como vc gosta, mas tem mil virtudes deixadas de lado pelo simples fato do medo de se apaixonar ter sido maior...
Posso listar aqui muitos e muitos exemplos de detalhes que nos faz desistir do mais lindo que poderíamos viver pelo simples medo de ter o coração pulsando por alguem ou por ambição, afinal lá no outro galho PODE ter algo melhor.
Destaque a palavra PODE, ninguem pode afirmar que haverá, ou mesmo que haverá outro galho afinal a vida é um estalar de dedos, hoje aqui, amanhã não se sabe.
DEixa o medo, esquece o que há lá na frente, viva com todas as forças o agora, coloque seu coração, emoção, olhares, suspiros, olhos brilhando no AGORA.  Ele sim eu tenho a certeza que existe.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

A carta

Estamos no tempo onde a pressa e a urgencia são mais importantes do que o toque e a atenção, onde a rapidez é considerada como o item essencial, mas infelizmente estamos perdendo coisas simples e suaves com a super valorização da prontidão.
Lembro-me com saudade do tempo onde a escrita de uma carta  nos colocava abertos de coração para o outro que a receberia.
Era mais ou menos um ritual, papel escolhido com cuidado, a caneta, a cor da tinta, se era uma carta de amor poderia ser perfumada e ganhar um leve beijo de batom.
O lugar onde essa carta seria escrita era escolhido com muita atenção.
Teria uma música ao fundo,  seria inspiração?
Ah! Não existe nada mais completo do que o ato de escrever uma carta.
Pensa-se em todos os detalhes. A carta reproduz o seu momento, a letra não disfarça o que se sente, mostra e desnuda o seu pensamento quase imediatamente.
Podemos chorar escrevendo uma carta, transmitir amor, conforto, esperança, carinho, atenção.
Ao segurar a caneta, transferimos por nossas mãos o que nos sai da alma, reproduzimos em letras nosso pensamento.
Rubem Alves coloca que " Cartas de amor são escritas não para dar notícias, não para contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel", lindo  e verdadeiro.
Qtos namorados choraram ao receber cartas sem ao menos abri-las! Beijaram o envelope como se beijassem o amor distante.
Escrever uma carta encerra em si o ritual de escolher a melhor palavra, mandar uma pétala de rosa, uma foto, inclui no ato a ansiedade da espera, do desejo de novamente acolher o papel bendito que o outro tocou. Sim, existem cartas tristes, óbvio! Porém o que fica sempre é a emoção.
Lembro-me que no natal as pessoas se presenteavam com cartões de natal, a árvore ficava repleta. Lindos tempos, idos tempos?
Aguardar o carteiro, mensageiro de notícias distantes, era o momento mais desejado e esperado do dia, hoje esse mensageiro foi relegado ao posto de entregador de cobranças, cartões, revistas, poucas vezes de uma carta perfumada e querida.
Saudosista eu?? Não sou não.
Eu sou feliz por ter vivido num tempo onde se dava mais importância ao ato simples, puro e intenso de escrever e enviar cartas e mais feliz ainda por poder relatar isso aqui. E-mail, sms, torpedo, excelente, ótimo, rápido... mas nunca substituirá as cartas que pude cheirar, que pude guardar, que pude esperar, só quem escreveu e recebeu sabe o que digo!